"errar é humano"
pare de psicologizar e espiritualizar o patriarcado
eu estou aqui pelas mulheres que já perceberam que existe alguma coisa de errado. não estou aqui para te apresentar patriarcado e nem para te convencer de que o mundo é horrível com você. estou aqui para ser uma referência e suporte para aquelas que desejam sair do ciclo vicioso da validação masculina.
por tanto, mulheres: parem de psicologizar a dominação masculina. quando ouço uma mulher dizer “errar é humano”, ou “somos todos imperfeitos” consigo ver claramente o quanto a naturalização de um abuso sistemático é forte em todas elas. sim, errar é humano, mas o erro dos homens é privilégio e violência. quando você começa a perceber que 99% do sofrimento emocional das mulheres envolve seus relacionamentos com homens, e que essas narrativas de sofrimento são assustadoramente repetitivas, sua mente desperta.
é sempre a mesma coisa: encantamento, consistência, conexão, vulnerabilidade emocional, e depois disso, os abusos começam. ele começa a se distanciar e controlar o seu acesso a ele. você começa a se adaptar e performar para ser amada. a relação é ótima, até você cobrar algo. ele responde mal, grita ou se afasta. você sente culpa. ou não, ou ele te ouve, abraça, aceita e continua fazendo o mesmo, até você aceitar que ele não vai mudar e decide desistir por exaustão. ele te dá ghost, some, e depois volta. você aceita porque está engatilhada e com feridas de rejeição. mulheres vivem montanhas russas emocionais e estão constantemente desreguladas apenas para terem breves momentos de “prazer” com homens. querem validação masculina (algumas dizem que é só a aventura do sexo) pra se sentirem vivas.
em “amar para sobreviver”, livro da psicóloga dee l. r. graham (o melhor livro que já li), a autora explica todas as nuances e dinâmicas de poder do sistema mais avançado do patriarcado: o amor heterossexual. a psicologia feminina é uma psicologia criada a partir da dominação masculina. a feminilidade, docilidade, adaptabilidade feminina é um conjunto de mecanismos de diminuição e proteção da raiva masculina. as mulheres amam os homens porque tem medo deles, porque acreditam que precisam deles.
o amor heterossexual é doentio e as mulheres são as prejudicadas. mas talvez você não acredite em mim, talvez continue acreditando que a sua dor e a de milhares de outras seja falta de terapia. afinal, as mulheres são tão instáveis né? tão dependentes, tão fracas, tão sensíveis.
não é por acaso que a autoestima feminina fica em frangalhos assim que se inicia um novo relacionamento. elas acreditam que estão bem, prontas para o “amor”, curadas e plenas, até entrarem numa nova dinâmica de poder: buscar ser amada pelo seu opressor.
é claro que traumas e questões psicológicas estão presentes nas relações humanas, mas quando só um lado tende a colher prejuízos me parece um pouco de ingenuidade acreditar que não seja estrutural.
imagem retirada do instagram @acordamenina.br
justificamos todos os abusos e desrespeitos com uma psicologização ou espiritualização exagerada. “era uma lição da vida”, “aprendemos e evoluimos juntos” (só você aprendeu, ele continua igual). ele não é confuso. a falta de empatia não é por causa dos problemas com a mãe. não precisa perguntar para o tarot de novo, a resposta está aqui: ele não te vê como um ser humano. parece radical e absurdo, mas é porque o patriarcado nem sempre tem uma cara agressiva. as vezes ele é legal, gente boa, mas te negligencia. você não entende porque está infeliz, afinal, ele é tão maravilhoso né. a culpa é sua, por ser ingrata.
e assim, o patriarcado continua se alimentando do amor e da servidão feminina, ops, esqueci, a gente chama isso de relacionamentos românticos.
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Você é deliciosamente radical!!! Amo seus conteúdos, Vênuuuss!
Preciso ler esse livro! E, como sempre, você só trás verdades!